A implementação das TIC’s por si só em meio escolar não garantem melhorias na qualidade de ensino, portanto faz-se necessário uma relação didático-pedagógica e um aperfeiçoamento dos professores para que eles possam explorar ao máximo as potencialidades existentes no uso tecnológico em suas aulas com todo o aproveitamento pedagógico. Entretanto, o uso e o papel que elas desenvolvem no projeto pedagógico do EJA são pouco conhecidos. Dependendo de suas atribuições, as tecnologias desempenham a função de expandir as potencialidades críticas e criativas de cada individuo. Paulo Freire afirma:
“Acho que o uso dos computadores no processo de ensino-aprendizagem, em lugar de reduzir, pode expandir a capacidade crítica e criativa (...). Depende de quem usa a favor de quê e de quem e para quê.” (FREIRE, 1995, p.98).
Apesar de todas as benfeitorias que as novas tecnologias da informação e comunicação podem proporcionar, não é difícil encontrar docentes que ofereçam resistência em utilizá-las, devido à falta de projetos de inclusão digital e políticas públicas de formação de educadores, e muitas vezes a carência de apoio pedagógico para a implantação de trabalhos interativos com as mídias. Portanto, é necessário que antes de se pensar na introdução das mídias na educação se pense na formação dos professores, pois eles serão os mediadores desse processo.
A maioria dos estudantes da EJA cresceu no campo, em famílias pobres e numerosas que necessitavam do trabalho de todos. A dificuldade de acesso ou a falta de escolas rurais limitaram a escolarização na infância e na adolescência. Para os que se alfabetizaram, as situações de leitura e escrita foram raras, levando muitos de volta à condição de analfabetos. Vivendo no campo ou migrando para grandes cidades, os estudantes enfrentaram situações de preconceito por não saberem ler, escrever ou calcular. Superar essa condição é o que levou muitos de volta aos bancos escolares (GALVÃO e DI PIERRO, 2007: 16 – 20). Ou seja, as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar encontram no EJA espaço e condição para a atualização e qualificação necessárias ao ingresso no mercado de trabalho e inserção na cultura globalizada em que vivemos.
Na última conferência sobre a educação de adultos da UNESCO, os agentes governamentais e não-governamentais se comprometeram a promover políticas de acesso as novas tecnologias. Sendo assim, as TICs devem promover, na educação de adultos, uma comunicação interativa, uma maior compreensão e cooperação entre povos e culturas, a difusão de filosofias, criações culturais e modos de vida dos alunos, o acesso à educação à distância, a exploração de novas modalidades de aprendizado, o exercício crítico a partir de análises dos meios de comunicação, a divulgação de material didático, a promoção do uso legal de propriedade intelectual e o reforço a bibliotecas e instituições culturais (CONFERÊNCIA, 1999: 49 -50).
Portanto, independente do nível de ensino, se presencial ou a distância, as TIC’s representam na atualidade papel de fundamental importância na disseminação do conhecimento e um melhor rendimento, mas salientando sempre a importância do professor como mediar do processo de ensino-aprendizagem.
Fonte: NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: QUEM USA A FAVOR DE QUEM E PARA QUÊ?
http://alb.com.br/arquivo
morto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem02/COLE_1275.pdf
Juliane Bezerra.